Classificação correta de resíduos: por que entender Classe 1 e Classe 2 evita riscos para empresas

A gestão de resíduos começa antes da coleta. Para que uma empresa descarte corretamente aquilo que gera, o primeiro passo é entender a classificação do resíduo. Essa etapa define os cuidados necessários no armazenamento, no transporte, na documentação e na destinação final. Quando a classificação é feita de forma incorreta, o que parece apenas uma falha operacional pode se transformar em risco ambiental, legal e reputacional.

A ABNT NBR 10004 é a principal referência técnica brasileira para a classificação de resíduos sólidos. A versão mais recente da norma, publicada em 2024, organiza os resíduos quanto à periculosidade, com destaque para duas categorias principais: Classe 1, para resíduos perigosos, e Classe 2, para resíduos não perigosos. A própria ABNT apresenta a NBR 10004 como referência essencial para empresas que precisam gerenciar corretamente seus resíduos sólidos em cumprimento às regulamentações ambientais e às boas práticas de sustentabilidade.

Os resíduos Classe 1 são aqueles que apresentam características de periculosidade e, por isso, exigem cuidados especiais. Eles podem envolver propriedades como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou risco infectante/patogênico. Em atividades industriais, comerciais, laboratoriais ou de serviços, esse tipo de resíduo precisa ser identificado corretamente para evitar mistura com outros materiais, contaminação, acidentes e destinação inadequada.

Já os resíduos Classe 2 são considerados não perigosos, mas isso não significa que possam ser descartados de qualquer forma. Papelão, plástico, resíduos orgânicos, determinados materiais de construção, resíduos de varrição, embalagens e outros materiais podem se enquadrar nessa categoria, dependendo da origem, da composição e das características do processo que os gerou. Mesmo quando não são perigosos, esses resíduos precisam de armazenamento adequado, transporte regular e destinação ambientalmente correta.

Para o gerador, classificar corretamente é uma forma de reduzir riscos. A classificação influencia o tipo de acondicionamento, a frequência de retirada, a escolha do transportador, o destinador adequado, a emissão de documentos e os registros exigidos. O SINIR informa que o Manifesto de Transporte de Resíduos, o MTR, tem o objetivo de monitorar, rastrear e controlar a movimentação dos resíduos desde a geração até a destinação final ambientalmente adequada.

Outro ponto importante é que a classificação não deve ser feita por aparência. Dois resíduos visualmente parecidos podem ter classificações diferentes dependendo da matéria-prima, do processo produtivo, dos contaminantes presentes e das análises necessárias. Por isso, empresas que geram resíduos de maior complexidade precisam ter processos claros, documentação atualizada e apoio técnico quando necessário.

Na prática, quando a empresa trata todo resíduo como “lixo comum”, ela aumenta a chance de descarte inadequado, multas, problemas em auditorias e danos à imagem. Por outro lado, quando classifica corretamente, ela ganha mais controle sobre sua operação, melhora seus indicadores ambientais e demonstra compromisso real com a conformidade. O Ibama destaca que a Política Nacional de Resíduos Sólidos trouxe o conceito de responsabilidade compartilhada e exige, de empresas obrigadas ao plano de gerenciamento, controle sobre a implementação, operacionalização e monitoramento das etapas do gerenciamento de resíduos.

Na ATR, entendemos que uma gestão de resíduos eficiente começa pela informação correta. Saber se um resíduo é Classe 1 ou Classe 2 ajuda a empresa a tomar decisões mais seguras, evitar riscos e garantir que cada material receba o destino adequado. Porque responsabilidade ambiental não começa na retirada do resíduo — começa na forma como ele é identificado, separado e gerenciado dentro da operação.

Fonte: ABNT NBR 10004:2024; SINIR/MMA; Política Nacional de Resíduos Sólidos; Ibama.

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